
Gosto da Madonna.
Não é segredo para ninguém até mesmo porque desde a minha infância sempre fui um fã confesso da dita rainha da pop music ao ponto de toda a gente o referenciar e nunca ser muito difícil escolher-me um presente de aniversário, que qualquer disco da cantora assentaria bem.
Gosto de memórias do passado e por algum motivo certas coisas ficam gravadas a ferro e fogo na nossa mente. Eu lembro-me de várias, mas uma em especial. Lembro-me de nuestros hermanos espanhóis terem a visita de Madonna em 1990 durante a Blond Ambition Tour. Eu tinha 10 anos na altura e, a muito custo, lá fui convencendo a minha mãe a ficar acordado para assistir ao directo do concerto da diva (sim a TVE fez isso) a partir do Palau Saint Jordi de Barcelona. A Pepsi patrocinava essa tournée e vendiam-se réplicas da roupa interior usada por Madonna. A minha prima vestia-se como ela com uma saia de tule preta e tinha inclusivamente uma cruz pendurada ao pescoço e o cabelo loiro. Recordo-me perfeitamente de ficar extasiado ao ver a Madonna descer umas escadas com um fato riscado e do icónico bustier criado por Jean Paul Gaultier inspirado na lengerie e no espartilho. Tornava a cantora provocativa, sensual e dava-lhe um toque de modernidade que só conseguiria vir a entender mais tarde depois de ter passado a fase depurada e minimalista dos 90. Ela, realmente, consegue captar como ninguém as brisas intemporais de cada era e observa as pessoas da rua, cria o seu próprio espectáculo, reinventa-se, impõe tendências e estilos que perduram. Única e irrepreensível sabe de onde vem e para onde vai. Agora, à distância de uns largos anos e de uma semana do concerto no Parque da Bela Vista, nesse sítio horrível onde não voltarei nem sequer para a ver novamente (sim porque eu posso dizer que vi a Madonna e o concerto), consigo admirá-la mais que nunca. Uma mulher, mãe, cidadã do mundo, figura de importância social e grande poder interventivo, reconhece o Bem e o Mal, apoia incondicionalmente, humaniza, adopta uma criança e faz que o mundo se sensibilize para as catástrofes humanitárias e naturais. Monta o Maior Espectáculo do Mundo com sentido, carisma e humor, reparte alegria e emociona o público, emociona-se e afirma-se como a rainha incondicional, a verdadeira Master. Madonna é artista, reconhecida pelos próprios, faz da pop music um lugar distante de uma batida certeira e uma letra melodiosa, associa-se a quem melhor sabe, a quem mais tem de vanguarda e dita-lhes as regras. Ela quer, pode e manda, ela é a Madonna.


1 comentário:
Excelente este artigo! Captou a essênoia da estrela como se não fosse poeira dos céus. Admirável!
Enviar um comentário