quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Por entre a chuva


Caminho mais uns passos entre rasgos de chuva miudinha. Sinto as suas pequenas gotas humedecerem-me o rosto e apresso o passo para me resguardar no carro. Chave rodada na ignição e oiço os pneus chiarem pelo deslizar da borracha sobre a água que penetra no alcatrão ressequido. Agora as partículas de água deslocam-se contra mim em alta velocidade sem me tocarem, como se estivesse protegido numa cápsula do tempo, neste redoma de vidro onde o silêncio se quebra com o fado "A sós com a noite", mesmo a calhar para a ocasião. Antes assim fosse porque nos últimos tempo tenho contado as madrugadas no cumprimento do dever. Ainda estou ensonado, bocejo ao cair do sinal vermelho e procuro novo ponto de atenção. As pedras da calçada estão mais limpas que nos últimos meses, polidas pela chuva e iluminadas pelos faróis dos automóveis que parecem fazer clarear um dia que se adensa cinzento. Acelero e de novo as gotas correm sobre os vidros no sentido contrário e observo como se dissipam em gotículas, como caminham para a destruição. Merecia ser fotografado este acontecimento. Talvez um dia numa qualquer máquina de lavagem automática para automóveis.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Your arms around me



I was slicing up an avocado
when you came up behind me
with your silent brand new sneakers
your reflection I did not see

It was the hottest day in august
and we were heading for the sea
for a second my mind started drifted

You put your arms around me
You put your arms around me

Blood spraying on the kitchen sink
“What’s this?” I have time to think
I see the tip of my index finger
my mind is slowly creating a link

From your mouth speaks your lovely voice
the softest words ever spoken
"What's broken can always be fixed
what's fixed will always be broken”

You put your arms around me
You put your arms around me
You put your arms around me
You put your arms around

I must have past out on the porch
dreamt I was carried in a kangaroo's pouch
When I wake up I’m in the waiting room
on a dirty hospital couch

My hand iswrapped in toilet paper
and my body is wrapped in debris
you're sitting next to me reading the paper
I put your arm around me

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Florescer


Estas flores são fruto de muita preseverança. Confesso que já tinha pensado mandar fora o vaso com a ideia em mente de que, as suas vagens verdes jamais voltariam a florescer. No entanto, a espera veio a revelar-se frutífera. Após mais de um ano sem darem flor e com muito trabalho para manter a terra sempre húmida e as vagens expostas à luz vejo novamente estas belas orquídeas animarem a minha sala. O verde das estreitas hastes foi-se diferenciando em pequenos lóbulos que a pouco e pouco cresceram e abriram-se para a vida. Para além da forma invulgar e do magnífico colorido tropical, só agora reparei no seu cheiro intenso, mas próximo! Fiquei fascinado com este "novo" elemento (pelo menos para mim). Devo estar a perder qualidades porque precisamente o olfacto era o meu sentido mais apurado. Digo, era pelo óbvio inequívoco de que o ignoraria não fosse a minha fixação em manter estas flores.

Sei que tenho andado meio adormecido.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Procissão

Deambular por deambular, com um destino, mas apenas por andar por entre uma multidão de gente que se acotovela. Os pescoços esticados, erguidos na direcção do céu e os olhos cintilantes pela emoção ou pela fé. Ainda hoje me questiono sobre aquilo que a move, a ela, à multidão, ao povo.
O que é que me traz aqui?
O constrangimento de um sovaco que exala a acidez dos 36º Celsius, que ainda se fazem sentir. É de admirar porque já passam quase sete horas do meio-dia. Da metade deste dia, onde as andorinhas se queimam dentro dos seus ninhos, alimentam os filhos. Curiosamente estão em silêncio a esta hora, não chilream, não têm movimento. As que não cumprem o seu dever de mãe, contorcem as suas mínimas cabeças na sombra, nalgum ramo de uma qualquer árvore do jardim. As outras protegem os seus filhos, não sei se mães ou pais porque nunca consegui diferenciar o macho da fêmea. No entanto, presumo que sejam as fêmeas que alimentem as crias, tal como uma mulher alimenta um filho no seu ventre durante nove meses. Como às aves não lhes é permitido essa ligação, o privilégio de sentirem um ser desenvolver-se dentro de si, Deus encarregou-se de estreitar laços entre mãe e filho, certo que de outra forma, mas fê-lo. Uma forma externa e talvez por isso o desprendimento de não pertencer ao corpo de alguém não tem volta atrás. Mãe e filho deixam de se reconhecer a partir do momento que a cria consegue voar. Limitam-se a voar ao mesmo ritmo na sua romaria ao Sul no final do Verão. Mas é verdade que os preparam para a sua função, para voar. A mim ninguém me ensinou a viver. Também porque isso se vai aprendendo. Os erros sucedem-se e os momentos de felicidade acontecem, ocasionalmente porque nós os procuramos. E não devemos? A nossa missão não e ser feliz? Mas uma mãe está sempre lá a certificar-se que o caminho é o correcto, a preocupar-se por nós, pelo nosso saber ser e fazer. A partir do momento que existimos, que nos materializamos num ser visceral, que cresce dentro do seu útero, a missão daquela mulher é alterada, como que programada novamente numa linguagem de bytes no seu computador cerebral. Vivem para nos sentirem felizes.
Agora voam em bandos, suavemente junto às paredes de branco caiadas, matizam o céu azul, inócuo, mas pesado pelo calor. Já não estão em silêncio! Agitam-se em voos rasantes, dessincronizados, como que fugindo à propagação do som do estalar da pólvora. As que pousam nos ramos das árvores compõem uma sinfonia, vibrante, que ecoa nos ouvidos, milhares de seres dão vida às folhas quietas. As crianças assustam-se com os foguetes. Os cães ladram.
O ar ainda é pesado, mais pesado que a fé. Tocam os sinos! A multidão junta no adro da igreja espera pela imagem de Cristo a caminho do calvário. As suas almas vêm de perto, da freguesia e outras de longe, imigrantes que agradecem em preces as graças concedidas. As mulheres trajam roupas da última moda, desfilam a sua devoção e os homens mostram a sua força, carregam as imagens dos Santos.

domingo, 27 de julho de 2008

I Can't Find You

Percorremos mil caminhos em vão. Sei que os nossos destinos não se vão voltar a cruzar como naquele entardecer. Tolero a pena do desencontro só porque tem de ser, tenho de me conformar em ter-te perdido para sempre. Não sei onde estás, mas sei para onde vou. Penso em procurar-te em becos e florestas, numa qualquer madrugada ou no transcender do tempo que passa.
O comboio está de partida. No apeadeiro amontoam-se pessoas, vestidos cintilantes com os primeiros raios de Sol, gravatas mal apertadas, pastas esbeiçadas e óculos sujos. Vêm da periferia trabalhar. Os meus olhos procuram os teus em cada par que se cruza com eles. Não sei o que faço aqui, sei que preciso de ti! Vivo o vazio de um dia após outro, sentindo-me só. Outrora teríamos conquistado o mundo com os nossos sorrisos e olhares cúmplices. Agora não passamos de uma inválida promessa de encontro e despedida.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

O elefante na sala


Gosto dos origamis, da cor que imprimem à tridimensionalidade do espaço conquistado ao papel. Vejo imensos origamis, muitas formas, cães, gatos, estruturas orgânicas, átomos e moléculos, efeitos de alucinação, um devaneio de uma qualquer noite de Verão. Desenho os meus pensamentos entre caos, saudade, ternura e uma imensa vontade de me ultrapassar. Sei de um rio onde as únicas estrelas nele sempre revelado (como diz o fado) são imensos origamis a perder de vista, bolas de sabão soltas e pó multicor, brilhos dourados e um leve nevoeiro, crepitante ao passar do Cacilheiro.
Plim! Tchum! Poim! Poim! O meu corpo desloca-se, qual bola de Pimball, entre as formas, embatendo ao som de campainhas e perco-me a rir. Morri umas cem vezes... Não acredito em sonhos presos nas estrelas pousadas sobre o mar, acredito em mim!

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Cansado


Ir para a cama às nove da noite no Verão não é coisa muito comum em mim. Primeiro porque a essa hora começa a fazer-se sentir mais fresco e a brisa do rio invade a cidade, para nos aliviar e nos ajudar a respirar, já que o calor diurno só nos faz transpirar a roupa e colapsar os pensamentos. E depois porque poderia ter aproveitado para conviver. Há amigos que não vejo há décadas, apenas oiço a uns quilómetros de distância ou por incrível que pareça a uns meros metros de casa. Acho que a minha vida social é quase inexistente ultimamente ou mesmo nula! Enfim... constatações! Nada que doze horas de sono não ajudem a resolver. Era necessária uma revisão, pensar um bocadinho, pequeno como o ecoponto para não afectar este meu ar superficial e materialista. Depois acabei por adormecer na quinta página do Rio das Flores.

Bom...o calor aqui não tem sido tão agreste, apesar do bom tempo e do Sol raiar todo o santo dia com uma brutal intensidade que acaba por nos ferir os poros. Hoje, por acaso, está um dia triste, típico do despertar do outono esquecido. Não que esteja frio mas faz vento e, subitamente, o céu tingiu-se de nuvens carregadas que a qualquer momento parecem querer explodir.

É tudo o que se passa na minha Lisboa.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

quarta-feira, 7 de maio de 2008

La Loca


Uma brisa fresca toca-me a pele, enregela-me a ponta dos dedos e humedece a minha cara. É disto que melhor me recordo! A noite desaparece. À medida que caminhamos, os nossos risos confundem-se com os primeiros sons dos animais e olhamo-nos nos olhos, sem nos apercebermos que tudo ficaria ali, naquele instante mágico.
Agora, à distância de uns anos, consigo recordar muito pouco. A dose diária de lítio ofusca parte da minha memória, mas mantém-me mais lúcido instantaneamente. Deixei de ouvir aquelas vozes que me desesperavam, que me aceleravam o coração. As minhas inquietações agora são outras.
A Gabriela já não está entre nós. O Inverno passado, enquando se ultimavam os preparativos da festa de Natal, resolveu abandonar-nos. Agora estamos mais sós sem a sua loucura. Ela sim era louca!
Passávamos na Praça do Giraldo, entre o fumo das castanhas assadas que estalavam, e ali estava ela dentro da loja. Vestia uma camisa de noite de seda branca rematada a renda, já rota pelo passar dos anos ou pelo descuido, que transparecia o seu ventre. As fitas que a ajustavam no peito estavam soltas, pendentes como os seios à vista de todos. Ela sorria, apontava o dedo a quem passava e gesticulava, articulando palavras inaudíveis, abafadas pela distância de um vidro. Quando nos avistou começou a beijar o vidro, esborratando o seu batôn vermelho, manchando a parede transparente que a separava e sempre a separou da realidade. Foi como se um jorro de sangue abandonasse o seu corpo e o seu fluído de vida se espalhasse propositadamente ao acaso e que estivesse ali aos olhos de todos os que passavam. Sim, porque ninguém ficava indiferente e todos olhavam, para de seguida baixarem os olhos para não a provocar, diziam uns. Mas a maior parte deles tinha medo de se olhar na imagem de um espelho que poderia ser o seu, a ténue linha entre a razão e a loucura. Agora percebo que vibrava com este tipo de interacção, fazia-se notar, evidenciava o seu desespero de uma forma quase cruel. Impunha-se às pessoas que sempre a ignoraram. Mas era louca, mais uma entre nós.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Profecia

Para comemorar o Dia Mundial do Livro, escolho uma passagem do mais famoso Livro de Todos os Tempos _ A Bíblia.
" Feliz aquele que lê e aqueles que escutam as palavras desta profecia, se praticarem o que nela está escrito. Pois o tempo está próximo.
Ele vem com as nuvens; e todos O verão, até mesmo aqueles que O trespassaram. E todos os povos do mundo baterão no peito por causa d'Ele.
Conheço a tua conduta, o teu esforço e a tua perseverança. Sei que não suportas os maus. Apareceram alguns dizendo que eram apóstolos. Puseste-os à prova e descobriste que não eram. Eram mentirosos. És perseverante. Sofreste por causa do meu Nome, e não desanimaste. Mas há uma coisa que te reprovo: abandonaste o teu primeiro amor.
Vi, então, uma Besta que subia do mar. Tinha dez chifres e sete cabeças. E nomes blasfemos sobre as cabeças. A Besta que eu vi parecia uma pantera. As patas eram de urso e a boca era de leão. O Dragão entregou à Besta o seu poder, o seu trono e uma grande autoridade. A terra inteira encheu-se de admiração e seguiu a Besta, e adorou o Dragão por ter entregue a autoridade à Besta. E adoraram também a Besta, dizendo: «Quem é como a Besta? E quem pode lutar contra ela?» A Besta recebeu uma boca para dizer insolências e blasfémias. Então a Besta abriu a boca em blasfémias contra Deus, blasfemando contra o seu Nome e a sua morada santa e contra os que moram no Céu. Foi-lhe permitido guerrear contra os santos e vencê-los. Recebeu autoridade sobre toda a tribo, povo, língua e nação. Então todos os habitantes da terra adoraram a Besta. Mas os seus nomes não estão escritos desde a criação do mundo no livro da vida do Cordeiro imolado. Se alguém tem ouvidos, ouça: Se alguém está destinado à prisão, irá para a prisão. Se alguém deve morrer pela espada, é pela espada que deve morrer. Aqui se fundamenta a perseverança e a fé dos santos.
Vi, depois, um novo Céu e uma nova Terra. Nisto, ouvi uma voz forte que saía do trono e que dizia:
«Esta é a tenda de Deus entre os homens. Ele vai morar com eles. Eles serão o seu povo e Ele, o Deus-com-eles, será o seu Deus. Ele enxugará as lágrimas dos seus olhos, pois nunca mais haverá morte, nem luto, nem gritos, nem dor. Sim! As coisas antigas desapareceram!» A quem tiver sede, dar-lhe-ei a beber, gratuitamente, da fonte de água da vida.O vencedor receberá esta herança: Eu serei seu Deus, e ele será meu filho.
Quanto aos covardes, aos infiéis, aos corruptos, aos assassinos, aos imorais, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, o seu lugar é o lago ardente de fogo e enxofre, que é a segunda morte».
O Anjo disse-me ainda: «Não guardes em segredo as palavras deste livro, pois o tempo está próximo. Sim! Venho muito em breve".

sábado, 19 de abril de 2008

Come to me


Emigrado de outro mundo
abeira-te à minha costa,
que no silêncio profundo,
castrante da minha alma,
ouvirás uma resposta.

sábado, 12 de abril de 2008

Ténis novos

Nem acreditei quando ouvi o despertador esta manhã. Parece que tinha acabado de ir dormir, ainda com a lembrança que a mãe hoje faz anos. Há dua semanas atrás a esta hora ainda era noite. Hoje, a luminosidade já invade toda a casa. Enquanto ligava a máquina de café e ouvia sorrateiramente a Dianne Reeves, olhava pela janela, pensava no que iria vestir, pensava enquanto os anos passam depressa. O tempo é aquilo que nós fazemos com ele, se passa depressa é porque vivemos depressa. A água cai-me no corpo, desperta-me, apesar de quente. Visto-me e, hesitante, calço os ténis novos, brancos. Mais tarde rumaremos ao Sul.

quinta-feira, 10 de abril de 2008



Esta música já tem uns anitos mas é sempre inspiradora para dias como o de hoje!

Esperemos que nada seja em vão, que haja Sempre Alguém!

quinta-feira, 13 de março de 2008

Um tempo

Quero um tempo para mim,
Um tempo de paz
para pensar
no cheiro do jasmim
que a brisa me traz.
Outrora vinda de um jardim
que invento,
semeado de espanto,
de um apetite voraz.
Um campo aberto
à minha frente
como se quizesse,
de repente,
ganhar asas e voar.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Me an You

O despertador toca, praticamente, todos os dias à mesma hora. Rotina ou não, acordo ao som de um assobio... Tudo me lembra TU, o MEU outro EU, aquele que queria SER... Uma SUPERSTAR!
Your heart is broken, and you don’t seem to mind
I guess it happened a little too many times, too many times
You try and you got tired, those long a brighten stories
You weald a fire right under the snow
They don’t they don’t
How could they really know
They don’t
They don’t know how it really feels
They’re just on holidays
Like dummies filling landscapes
How could they see you cry?
Do you remember me?
I was the one that held you through
I held a spot light when you did that crazy dance
Dance with youI felt like superstars do
Me and youWe’re just like superstars
I was around you
You couldn’t really tell
I held you close while
While you drove, you just drove into hell
You know!
A kind of hurt that burns
A light that loves you blind
And while your feet go
They go deeper in the sand
You wave and drown
You rave to the crown that says
But they don’t know how really feels
They’re just here on holidays
Like dummies filling landscapes
How could they see you cry?
Do you remember me?
I was the one that held you through
I held a spot light when you did that crazy dance with meY
eah you did that crazy dance
You did that crazy dance with me
You did that crazy dance
Coz they don’t know how it feels
They’re just here on holidays
Like dummies filling landscapes
How could they see us cry?
Do you remember me?
I was the one that held you through
I held a spot light when you did that crazy dance to me
As I dance whith youI felt like superstars do
Me and you
We felt like superstars
Me and you

sábado, 19 de janeiro de 2008

Letter


Às vezes sinto uma enorme vontade de te escrever, escrever umas simples palavras só para dizer o quanto gosto de ti. Acabei por nunca o fazer porque acho estúpida essa ideia sequer ocorrer-me... Nunca te cheguei a conhecer, nunca me dei essa oportunidade. Afinal penso demais, sei disso! Vivo com medo, medo de sentir, medo da aventura e medo de mim. Medo da vida não me parece demais afirmar. No fundo, critico os fracos e os hipócritas mas sou um deles. Aliás, sou pior que eles porque falo demais e as acções ficam esquecidas, não por vontade própria, mas por falta de ousadia. Por isso, hoje escrevo-te para dizer que te amo.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Fall


Regressamos hoje da província. Viemos com o sol do "Verão dos Marmelos". A temperatura amena convida-nos a longos passeios no campo, onde as folhas já nascem caídas no chão e a terra desprende um leve odor àquilo que não podemos pronunciar. As primeiras chuvas já molharam os campos. Vagueamos com os olhos postos na paisagem e o vento corta-nos a garganta com secura, como já o fizera o calor. As palavras perdem-se em ecos distantes, longíquos demais para que os possamos alcançar. O cão salta à nossa frente com o pêlo luzidío. Sempre lhe assentou bem este contraste de branco sobre o preto, claro no escuro, a luz na sombra, como o seu olhar triste que responde ao meu chamamento. O olhar! É no silêncio do olhar que encontramos as nossas palavras.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Amigo

A amizade corre no tempo,
No tempo que vai voando
E lá vou eu andando
A fugir do contratempo.
Nesta noite de relento
Vou passando por entre ruas
Onde se encontram almas nuas
Buscando outra alma perdida
Como a minha que está retida
Por entre amizades cruas.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

My shining star


Admirar alguém faz parte de nós próprios.
Por vezes, começa com uma simples ideia que partilhamos e que, quando cresce e se integra no nosso quadro de referência acaba por ser merecedor do mais profundo respeito. É assim como em tudo na vida. O melhor, diria eu, é quando admiramos quem vimos nascer e crescer e pudemos, de uma maneira ou de outra, ensinar ou partilhar experiências. Quando é alguém que amamos incondicionalmente.